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Covil

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Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Seg 08 Ago 2016, 17:39

O periodo de tempo entre eu sair de Portugal e chegar ao Brasil foi totalmente esquecido. Durante umas duas semanas eu não era nada mais de que um morto-vivo. A minha mãe ainda esteve um tempo comigo lá para ter a certeza que eu ficava bem. Ela não estava nada feliz com a minha decisão. Tinha chorado bastante. Eu não queria ter feito a minha mãe chorar... Mas eu prometi-lhe que ia ficar bem e que dava noticias todos os dias.

No entanto, ela obrigou-me a ir para uma escola no rio de janeiro. E foi no momento em que eu comecei a ir à escola que tudo começou a correr mal. E mesmo mal.
Logo no primeiro dia de aulas um rapaz decidiu meter-se comigo. Afinal de contas, eu naquela altura mesmo a falar português tinha um sotaque meio britânico. Depois disso eu vinha de uma família que andava na língua do mundo desde 1981. E eu também não andava com cara de quem era um rapaz bonito que vinha para ali fazer amigos. Eu não estava nada bem. Estava triste e irritado. O rapaz acabou por levar um murro no nariz. E aquilo soube-me demasiado bem. Era um bocado da frustração que eu tinha, que estava a sair fora. Deitar tudo cá para fora.

Eu tentava não pensar na Sofia. Eu tentava não pensar no que tinha acontecido. Tentava não pensar em Portugal. E aquela não foi a primeira vez que me meti em lutas. Quando dei por mim não conseguia me controlar e andava a tentar puxar lutas com toda a gente.
E isso chamou a atenção de quem não devia. Um grupo de rapazes.

Acabaram por passar semanas e semanas e a raiva só aumentava. E era dirigida a todos e a mim mesmo. E isso fez com que eu entrasse em graves problemas. Que cometesse erros enormes.
Um dia entrei numa festa com o Chase. Nem me lembro porque raios é que fui aquela festa. Precisava de tirar da cabeça tudo. Precisava de a esquecer nem que fosse só por umas horas. Eu tinha de esquecer. Ela estava a destruir-me. As saudades estavam a destruir-me.
Naquela altura tudo o que eu queria era esquecer.

A festa já tinha começado quando nós lá chegamos. Mas mal dei um passo dentro da casa senti logo o cheiro de álcool e tabaco. Eu não estava neste corpo há tempo o suficiente para ter hipótese de experimentar. Mas naquela altura também nem pensei nisso. Fiz o que Chase fez e o que os amigos dele faziam.
Foram alguns meses assim. Aos poucos já nem pensava em Portugal. Mas mesmo assim não conseguia de pensar na Sofia. E eu odiava-me por isso.
Já há tempos que não colocava os pés no apartamento que a minha mãe tinha alugado. Mas falava com ela. Senão ela vinha e tirava-me daqui. Mas não ia lá mais. Não valia a pena. Passava de festa em festa. De bebedeira a bebedeira. De luta em luta. Lutas que acabavam por não ser minhas. Eram do Chase. Porque é que eu andava com ele? Não sei. Havia algo cativante nele. A forma como ele falava. Toda a gente ou seguia-o ou tinham medo dele.

Esse tempo todo passou-me como um burrão. Eu não sabia onde andava. O que andava a fazer. Eu nem sabia que estava a entrar em algo perigoso.
Toda a gente sabe que em todos os países existe máfia. Existe traficantes, assassinos e ladrões. Bem, no Brasil o maior grupo de todos era uma alcateia de Lobisomens. Na verdade não era chamada de alcateia mas sim de bando.

Por muito que eu me tente lembrar de como fui transformado não consigo. Não me consigo lembrar do dia. Só consigo lembrar-me de pequenos flashes e de como doeu para caralho.
Sei que levaram-me para gruta. Era ao pé do mar. Lembro-me de cheira o mar. O cheiro das algas estava a dar-me vontade de vomitar.

- Onde é que vamos?

Perguntei enquanto-me puxavam. Eu estava mocado.
Sei que perguntei novamente. E que me deram um murro na barriga para me calar. Não levaram um de volta porque eram uns cinco gajos ali. Do triplo do meu tamanho. É o problema dos lobisomens. Tentam-lhes bater e partem a mão e são capazes de perder a cabeça.

A gruta era escura. No meio estava uma espécie de trono feito de rochas e ossos.

Foi ai que eu quis ir embora. Estava completamente fora de mim mas eu senti um medo de morte a olhar para aquilo.
Os meus pais eram heróis de guerra. Os meus avós eram heróis de guerra. Todos os instintos que eu herdei deles estavam a mandar-me correr para bem longe dali. Não sei com a minha sorte ainda estavam a tentar reviver o Voldemort ou assim.
Não devia de brincar com isso.
Mas estavam a agarrar-me. Não era capaz de fugir.

- Tem calma, Andrew. Não tarda juntas-te a nos.

O Chase era um tipo grande. Devia de ter para ai uns dois metros. Era um bocado magricelas mas eu já o tinha visto derrubar uns 5 gajos sozinho e sair sem um único arranhão. Não era para mais. Ele era o Alfa. Ele era o mais forte. Ele ditava as regras. Ele decidia quem morria e quem vivia. Ele era quase como o nosso deus.

Já em várias alturas ele tinha dito que eu era bom para estar ao lado dele. Que eu tinha nascido para grandes coisas. Não sei porque é que eu acreditei em tudo.

Não faço ideia de onde, mas apareceu um homem sentado no trono. Um homem alto, de pele morena, careca. Tentei cravar os meus pés na areia porque estava com medo. Não me queria aproximar mais daquele homem. Mas claro que eles eram bem mais fortes que eu. Acabei por ser arrastado e colocado de joelhos virado para ele. Mal olhei para cima, arrependi-me logo. Nunca tinha visto algo assim. Os lábios do homem estavam todos secos e enrugados. O nariz estava meio deformado, uma das narinas estava com falta de um bocado de carne. No lado esquerdo da cara via-se uma cicatriz enorme que passava pelo olho, até à boca. No entanto, o pior nem era isso. O que me assustou mais foram os olhos. Eram embaciados. Um azul eletrificante coberto por uma névoa. Parecia cego. Não olhava para nenhum lado. E metia-me um medo de morte.

Não sei que conversa é que o Chase e velho tiveram. Mas no final o velho tinha um sorriso sádico que congelou-me.

- Então és tu que vais ser o novo membro... Um pouco fracote para isso.

Eu não era capaz de falar. Estava demasiado assustado para isso. Tudo passou rápido.. O homem disse algumas palavras que eu não entendi. uma língua estranha e morta. Depois so senti alguém espetar uma espécie de flecha no meu ombro esquerdo. E depois uma dor horrível. Era como se alguém estivesse a colocar acido na ferida. Acido de sal. E isso estivesse a abrir ainda mais a ferida e a queimar tudo. Eu sentia que estava a queimar todo por dentro.

Não é para dizer que não aguentei a dor durante muito tempo. Desmaiei.





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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Qua 10 Ago 2016, 12:22

Depois de me levarem para o quarto quando o Mason se foi embora eu acho que deviam ter passado apenas cinco horas. E afinal já tinham passado cinco meses. Eu juro que queria voltar a estar bem, voltar a ser eu. Mas não conseguia. Para mim o tempo tinha parado, não queria estar ali, no sítio mais feliz que eu já tinha conhecido. Tinha-lhe escrito milhares de cartas, mas não sabia para onde as enviar. Todos os dias tinha saudades dele, todos os dias pensava no que podia ter feito melhor. E todos os dias chorava por causa disso. Fui eu que arruinei esta parte da vida dele. Só queria que ele estivesse bem.

As minhas notas começarama a baixar mesmo muito. Comecei a ter negativas a algumas disciplinas e isso fez-me ganhar viagens ao gabinete da directora. A mãe dele. Era mesmo o que eu precisava. Queria gritar com ela, queria chamar-lhe nomes e gritar-lhe que a culpa do que me estava a acontecer era toda dela, por ter deixado que o fllho me deixasse e estivesse nem sei onde. Mas tudo o que eu conseguia era ficar calada, de cabeça baixa e ouvir o que ela tinha para me dizer. Nunca ralhava. Eu não conhecia ninguém que dissesse que ela ralhava a sério. Se calhar era por isso que todos gostávamos tanto dela.

- Eu sei... Sim... Eu vou tentar.

Era a quarta vez que eu estava no gabinete dela. Era a quarta vez que eu lhe prometia que ia aumentar as notas e voltar a estar bem. Mas eu não tinha culpa de não conseguir. Sentia-me mesmo em baixo e sem vontade para nada. Mas talvez passasse. E depois, discretamente, reparei num objecto que ela tinha num dos armários. Era um espelho, ou pelo menos parecia, mas algo me dizia que aquilo era importante, eu já tinha lido sobre ele. A pessoa que tivesse a outra parte podia entrar em contacto. O Mason, só podia ser. Tinha de ser.

- Eu... Não me estou a sentir muito bem...

Já sabia que isso fazê-la ir logo à enfermaria buscar-me alguma coisa. Ela era mesmo assim. Levantou-se logo e deixou-me sozinha. Assim que ela saiu eu corri para o armário e tirei o pequeno espelho. Não fazia ideia de como esta porra funcionava.

- Mason?

Chamei baixo para o espelho. Nada aconteceu. Talvez eu estivesse enganada e aquilo não fosse o que eu pensava. Ia pousa-lo quando começou a brilhar e eu nem pestanejei a olhar. Conhecia aquela mala com aqueles pins todos. Sim, era ele, só podia ser ele! Mas o espelho devia estar na mala porque não conseguia vê-lo. Além disso não conseguia ouvir nada.

- Mason?

Voltei a chamar no momento em que ele ao virar a mala apontou para si o espelho. Mas algo estava errado. Era ele, definitivamente, mas algo estava mesmo muito errado. O sorriso não era o dele, era até um pouco... Mau. E os olhos, tão doces, estavam negros. Porquê? O que é que ele estava ali a fazer?

Ele voltou a colocar a mala ao ombro e eu consegui ver em redor. Ele estava no Brasil, percebi pelos letreiros dos sítios onde ele pasava. E não gostava de onde ele estava a ir. Uma festa? Uma festa com pessoas da idade dele. E raparigas, montes de raparigas. Rapazes também, mas elas estavam quase nuas. Ele pousou a mala em algum lado e aproximou-se de um grupo. Assim que ele se aproximou todos sorriram e eu tive vontade de vomitar com o que vi depois. Desde quando é que ele bebia? Desde quando é que ele fumava?

Parecia que estava a ver um filme em câmera lenta. Ele falava e ria-se, mas não como dantes. Parecia alheado ao que se passava. Parecia que tinha feito aquilo toda a vida dele. Estava maior, bem maior. Mais crescido e a cara dele tinha mudado um pouco, tinha ganho feições mais delineadas. Estava tão lindo. Só que a beleza não condizia com o coração dele. Parecia que aquele menino doce que eu conhecia tinha desaparecido.

Ou talvez eu estivesse enganada e eu nunca o tivesse conhecido a sério. Abanei a cabeça enojada quando duas das raparigas se aproximaram dele, insinuando-se. Ele não lhes deu muita atenção, mas também não as afastou. Queria chorar mas tudo o que eu sentia era raiva. Raiva e nojo do que estava a ver. Talvez eu estivesse enganada e ele é que tivesse arruinado esta parte da minha vida. Não importava, não ia acontecer outra vez. Não conseguia olhar para aquelas imagens, sentia-me revoltada e pior que isso, sentia-me traída.

- Não...

Abanei a cabeça. Já não tinha muito tempo. Foi por isto que ele me deixou? Foi para ir para o Brasil ter uma boa vida de festas e sem preocupações. Bem... Peço desculpa se eu era assim um empecilho tão grande. Prometi a mim mesma nunca mais escrever-lhe carta nenhuma. Nunca mais chorar por ele e nunca mais pensar no quanto o amava. Nesse momento senti um aperto no coração tão grande que acho que o tinha fechado.

Ouvi barulho na porta, era a directora de certeza. Pousei novamente o espelho e corri para a cadeira. Não sei se ela ia reparar, mas não queria saber. Aquilo que eu acabava de ver tinha-me feito ficar com raiva e ódio.

- Está tudo bem, querida? Toma.

Estendeu-me um copo com uma qualquer poção e eu bebi-a de um trago. Isso surpreendeu-a mas eu nem lhe dei tempo de perguntar. Levantei-me logo e agarrei na minha mochila.

- Obrigada. professora. Com licença.

Fui logo embora, sem lhe dar tempo de me tentar entender. Enquanto andava pelos corredores do castelo aquelas imagens não me saíam da cabeça. Eu estava aqui, toos os dias a sofrer por alguém que estava no brasil a aprovitar. O ódio que senti foi enorme. Eu nunca ia perdoar-lhe isto. Nunca mais ia querer vê-lo. Mas isso não devia ser problema, ele nunca ia voltar. E ainda bem.

Voltei a aproximar-me do André, de quem nunca me devia ter afastado.
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Sab 13 Ago 2016, 22:42

O que aconteceu depois daquele dia ainda me dava pesadelos. Lembrar-me do quanto fácil eu tornar-me um monstro. Não é facil explicar tudo o que aconteceu, principalmente, porque metade do tempo eu não era bem eu.
Mas lembro-me de acordar num pequeno quarto. O meu ombro doía imenso mas fora disso, eu sentia-me otimo. Sentia-me mais forte. O que era estranho, já que na noite anterior (imagino eu que tenha sido na noite anterior) tinha sentido uma dor horrivel. Sentei-me na cama, o que fez o meu ombro doer ainda mais. Tinha a mente completamente confusa e quando me levantei parecia que o chão estava mais longe. Isso deixou-me um bocado zonzo, euqnato eu caminhava para o lavatório. Agarrei-me a ele, a sentir o ombro arder demasiado. Parecia que o meu ombro estava em fogo.

- O que aconteceu...?

Falei baixo para ninguem, com a respiração incorrente.
Eu não estava com a cabeça no sitio. Estava a ouvir montes de barulhos e de vozes altas. Como se estivessem a gritar mesmo aqui ao meu lado, mas não estava lá ninguém.
Abri a torneira e limpei a cara com a água, levantei depois os olhos para o espelho e quase que mandei um grito.
Aquele não era eu! Não era eu quem estava no espelho! Eu não... Eu não tinha o cabelo castanho! Nem os meus olhos eram escuros! E a cara era minha mas estava mais madura? Eu parecia totalemente diferente... Mais homem.

O que é que tinha acontecido comigo?!

Eu peguei numa tshirt que lá estava em cima da cama. Não era minha. Vestia-a na mesma e corri lá para fora. Aquilo era tudo uma gruta enorme. Mas estava uma especie de aldeia ali construida?

Dois tipos enormes vieram logo a correr para pé de mim e tentaram-me agarrar mas só com um empurrão eles foram para longe. Abri muito os olhos. Eu estava forte?
Mas eles vieram para cima de mim a tentarem me bater. Porque é que eles me queriam bater? Por alguma razão eu era mais forte. E eles ficaram caidos no chão inconscientes numa questão de segundas.
E depois ouvi palmas. Era o Chase. Ele estava a ver-me lutar com estes tipos. O olhar dele era um tanto estranho. Olhava para mim com um misto de curiosidade e orgulho.

- Muito bem, Andrew. Eu sabia que ias ser forte.

Ele aproximou-se de mim e eu senti o meu corpo todo congelar. Eu sentia uma vontade enorme de me colocar de joelhos à frente dele. Uma vontade enorme de fazer tudo o que ele quissesse que eu fizesse.

- Chase...? O que é que aconteceu? - Perguntei mas ele só sorriu para mim e colocou uma mão no meu ombro. Eu agora estava do tamanho dele.

- Finalmente, és um de nós, Andrew. E daqui a uns dias estás apto para ser o meu braço direito. Queres isso, não queres?

Eu estava a olha-lo nos olhos. E eu não sabia porque mas a voz dele parecia como musica. Parecia que tudo o que ele era, era como se fosse um deus. Eu queria o fazer feliz. E queria estar do lado dele. Era como estar apaixonado. E ser o braço direito dele significava ficar do lado dele e ele confiar em mim. Eu queria isso. Eu queria isso mais do que tudo.

A partir dai, tudo começou. Eu comecei a treinar com uns quantos lobisomens, eu era forte. Mesmo muito forte. E eu via o olhar de orgulho do Chase e era só aquilo que eu queria. Ele era o Alfa. E passado poucas semansa eu era o Beta. Demorou algum tempo até eu ter de fazer mesmo alguma coisa sério. Era só treinar. Ir a festas com o Chase e protege-lo. E eu fazia tudo o que ele me dizia. Sem pensar. E eu mal sentia coisas. Enquanto todos os lobos se agarravam a mulheres e tal eu não. Eu ainda bebia e fumava. Mas não sentia nada por nenhuma mulher. Apesar de tudo, eu ainda pensava na Sofia. Como será que ela estava? Será que ela tinha voltado para o André? Será que ela tinha saudades minhas?
Só que não tinha muito tempo para pensar nisso. O Chase chamava-me sempre e eu ia. Sem pensar. A unica pessoa que eu mantinha contato era com a minha mãe, porque eu tinha contado ao Chase quem é que a minha mãe era, e que ela era capaz de virar a cidade de avesso para me encontrar. Então eu falava com a minha mãe. E ela estava em choque de eu ter me tornado lobisomem, e eu disse que tinha sido por escolha. Eu ainda não sabia se ela acreditava muito nessa história. E achava que aa qualquer segundo ela vinha cá. Mas eu não queria. Queria ficar do lado do Chase. E ela podia se magoar se viesse aqui. Não queria que a minha mãe se magoasse. Então ela acredita no que eu lhe dizia e eu também não lhe contava o que tinha acontecido. Não que eu soubesse bem o que tinha acontecido.

Era sempre aquilo. E mesmo que eu tente me lembrar de mais. Eu só tenho flashes do que se passava. Tiros. Sangue. As minhas mãos cobertas de sangue. Dor da transformação. Jaulas. Pessoas presas. Droga dentro de pessoas.
Consigo contar algumas coisas. Coisas horriveis. Coisas que eu vi. Coisas que eu fiz. Posso dizer como fiz miudos da minha idade enfiarem droga no estomago e mete-los dentro de aviões. Posso dizer como bati um homem velho que devia dinheiro ao Chase. Posso dizer que na minha primeira transformação de lua cheia ataquei outro lobisomem e ele ficou no hospital durante uma semana. Mas durante essas coisas, eu ainda conseguia pensar. Eu ainda sabia que devia de parar. Eu não era capaz de parar por causa do Chase. A voz dele era demasiado forte.
Mas há um acontecimento em que eu não sei o que fiz. Eu não estava dentro da minha própria mente. Eu só me apercebi do que tinha acontecido quando foi tarde de mais.

Tinha havido uma festa. Mais uma como tantas aquelas que eu já tinha ido durante aquele ano. Mas desta vez foi diferente. O Chase andava a procura de alguém. Uma mulher. Enquanto muita gente se agarrava ou estava a beber eu e o Chase avançavamos por toda aquela gente. Eu não sabia o que a mulher tinha feito. Não sabia o que era suposto eu ir fazer. Eu só ia atrás do Chase e procurava por aquela mulher. Ela estava num quarto sozinha. Quando ela viu o Chase entrar ela gritou alguma coisa numa lingua que eu não entendi. Eu fechei a porta como ele me mandou. Eu não pensava. Eu só fazia. Ele falou com a mulher na mesma lingua. E ela chorava e abanava a cabeça. E o Chase deu-lhe uma chapada e eu acho que nunca tinha visto os olhos de alguém tão negros. Se eu tivesse em mim eu teria o parado. Eu juro que tinha. Mas eu não era eu. Vi o respirar fundo e dar um passo para trás olhando para mim.

- Acaba com ela, Andrew.

Eu mexi-me sozinho. No momento que ele disse aquelas palavras eu movi-me sozinho e as minhas mãos já estavam no pescoço daquela mulher. E no segundo a seguir ouviu-se um crack e eu larguei-a. Ela caiu na cama com os olhos muito abertos em panico e sangue a cair-lhe pela boca.
Dentro de mim alguma coisa voltou a funcionar e eu dei um passo para trás em panico a olhar para a mulher. O Chase agarrou-me de volta.

- Andrew?

Eu olhei para ele assustado. O que é que eu tinha feito? Ele tentou-me voltar a agarrar mas eu afastei me e saltei da janela em panico. E corri. Corri o mais rápido que eu podia. O que é que eu tinha feito? O que é que eu tinha feito?!
Não parei de correr. Eu ouvia uns seis lobisomens a correr atrás de mim. Eu tinha que sair dali. Eu não queria voltar! O Chase estava a tornar-me num monstro! Não. Eu era um monstro. A pensar não vi um tronco de uma arvore e acabei por cair no chão. Oh não. Eles iam-me apanhar.

Mas do nada apareceu um rapaz. Ele olhou para trás um bocado assustado e esticou a mão para mim.

- São os homens do Chase? - Perguntou a olhar para mim. Eu só acenei e peguei na mão dele e no segundo a seguir estavamos a rodar e noutro sitio completamente diferente.

Parecia um campo de refugiados. Havia montes de tendas. E as pessoas pareciam todas magras e sem nutrientes. Eu olhei em volta e depois para o rapaz em panico.

- O que é isto?! Quem és tu?! Onde é que eu estou?!

- Hey calma calma. Eu sou o Justin. Eu já fui como tu. - Ele acenou e olhou para as minhas mãos com sangue e agarrou-me pela camisola para dentro de uma tenda. - Limpa o sangue. Rápido.

Eu não percebia nada do que estava a acontecer mas eu queria tirar aquele sangue das minhas mãos. Eu ainda estava em panico. Eu tinha matado uma mulher. O rapaz tentou-me acalmar. Mas acabou por tirar uma varinha do bolso e colocar-me a dormir.






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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Qua 17 Ago 2016, 12:27

A aproximação do André não estava a correr como eu queria. Eu juro que me queria sentir ligada a ele como ele se sente ligado a mim. Mas era como se eu não estivesse ali por inteiro. Era como se, por mais que eu tentasse, não conseguisse dar-lhe o que ele queria. Era claro, aquele cretino tinha levado o meu coração com ele. E para quê? Para o partir e pôr no lixo numa favela qualquer daquele sítio.

Vinham-me sempre aquelas imagens à cabeça, ele naquela festa horrível, que se devia repetir muitas vezes. Que porra de companhias eram aquelas? Desde quando é que ele se dava com gente assim? Mas eu também tinha decidido que não ia pensar muito nisso, só queria que a minha vida seguisse o rumo normal que devia tomar. E para mim isso significava acabar a escola com boas notas, rodear-me de quem gostava de mim.

O único problema era que eu estava cada vez pior. Já tinha sido mais vezes chamada ao gabinete da directora e as coisas não estavam a correr bem. Eu tentava, eu juro que sim. Tinha que tentar com mais força. O André estava a ajudar-me bastante nisso.

O aparecimento dos meus poderes também não podia ter vindo em melhor altura, era exactamente aquilo que eu precisava para me distrair. Tudo o que eu fazia estava direccionado para o meu desenvolvimento enquanto firedragon. Eu nem sequer sabia que tinha esses poderes. Foram meses de treinos horríveis e provações difíceis. Mas pelo menos estava a funcionar: já não pensava tanto nele. Ou pelo menos eu pensava que não. Sempre que me ia deitar à noite lembrava-me da maneira como ele me abraçava e daquele sorriso que me deixava os joelhos a tremer e começava a chorar. Todas as noites eu acabava por chorar, com saudades dele. Porque é que ele me tinha feito isto? Eu não merecia.

Agora eu era como uma bomba-relógio. Agora com os meus poderes arriscava-me a fazer coisas que não queria, a queimar tudo o que me aparecesse à frente. As poucas amigas que eu mantinha perto ajudavam-me. Elas tinham mais esperança que eu em manter-me de pé. E se não fossem elas e o André eu estava perdida. Sentia-me perdida. O mestre Blake também ajudava nisso. Era brusco e tratava-me mal, mas eu sabia que ele gostava de mim. Ele passava-se comigo quando eu não fazia as coisas bem. Mas os meus novos poderes eram como um sinal de uma nova Sofia. Mais forte. Eu só tinha de ter a força para querer ser mais forte e deixar ir as coisas más.

Para ser sincera, eram as primeiras vezes em meses que eu dormia bem. Estava tão exausta de tudo e todos que não conseguia ficar acordada. Parecia que estava num coma, mas acordada. Eu sei que é estranho, mas era o que eu sentia. Pelo menos tinha o lado positivo, eu sentia-me mais viva também. Não queria continuar no fundo do poço o resto da minha vida.

- Sofia, vens?

- O quê? Sim, vou, desculpa.

Acenei com a cabeça, quando o André me chamou. Íamos ver um filme. Já tinham passado dez meses desde que ele tinha ido embora. Dez meses. Nunca mais me tinha atrevido a ir ver como ele estava naquele espelho. Tinha medo do que podia ver. Tinha medo de o ver e descobrir que ele estava bem, que não estava destroçado como eu. Mas isso eu já tinha visto, não é? Já tinha visto que ele estava bem. Mais que bem.

Forcei-me a fazer um sorriso. Estava determinada a conseguir ficar com o André custasse o que custasse. Ele era um óptimo rapaz. Mas eu não o amava. Ainda não. Talvez um dia amasse. Era tudo o que eu podia esperar. Eu só queria esquecer que o Mason um dia tinha feito parte da minha vida. Só queria voltar ao dia em que o conheci e ter recusado tomar conta dele. E ao mesmo tempo não queria. Queria reviver tudo outra vez, uma e outra e outra e outra vez. Reviver o momento em que ele me beijou, em que ele disse que me amava e engarrafar isso. Todos os dias queria sonhar com isso nem que fosse para poder ter um bocadinho daquilo que me foi tirado.

- O que queres ver?

- Qualquer coisa serve. Desde que estejas aqui.

E fiz-lhe um sorriso. Íamos ficar sozinhos. Quando ele se sentou ao pé de mim o sorriso dele aqueceu-me um pouco o coração. Ou o espaço que estava no lugar dele. Queria tanto poder ser feliz outra vez. E ia ser. De repente veio-me à cabeça a imagem daquelas raparigas à volta do Mason e fiquei com raiva. Eu podia não ter o corpo delas, mas não merecia ser trocada assim. A raiva que me atingiu foi enorme, mais uma vez. Nem sequer pensei muito quando o André avançou para me beijar. Eu retribui. De alguma forma, entre o ódio que sentia pelo Mason e o carinho que sentia pelo André, acabei por ficar deitada com ele. Porque é que eu não havia de seguir com a minha vida? Era o que ele tinha feito também.

Tento lembrar-me de como correu do princípio ao fim e só me lembro de uma dor ao princípio. De o André ser carinhoso. De eu começar a chorar em algum momento. De ele me confortar preocupado por me ter magoado. De ter ficado nos braços dele muito depois de ter perdido a virgindade com ele.

Nessa noite senti-me ainda mais vazia. Não tinha sido horrível, mas não tinha sido como eu imaginei. Tinha pensado tanto em como seria com o Mason. Que ele ia ser carinhoso - mesmo que o André tenha sido - que ia sorrir do princípio ao fim. Que íamos repetir logo a seguir, porque não conseguíamos parar. Que íamos ficar aninhados um no outro a conversar sobre nós ou então sobre coisas estúpidas, como o gosto dele por panquecas com caramelo.

Pensar nestas coisas fez-me chorar ainda mais. Queria que a minha primeira vez tivesse sido com ele, uma coisa especial, ou não, não sei. Só queria que tivesse sido com ele, nem que fosse numa mesa de uma sala de aula. Pensar nisso pôs-me um sorriso estúpido na cara. O amor era tão ridículo às vezes. E doía saber que era amor o que eu sentia por ele. Mas ia deixar de sentir. Se eu conseguisse. Mas ele não estava cá, pois não? Nem ia voltar, pois não? Ele tinha escolhido o caminho dele e tinha-me deixado para trás. Não ia ficar até morrer vazia e sem rumo nenhum. Tinha de me compor e ficar bem. Tinha de conseguir acabar os estudos.

Consegui confortar o André e garantir-lhe que tinha sido bom. Mas as coisas ficaram um bocado estranhas depois disso. Não éramos namorados, então as coisas ficavam tremidas. Mas deixámos passar, continuávamos a passar tempo juntos. A pouco e pouco eu começava a ganhar outras cores. A ganhar novamente vontade de estar bem e fazer alguma coisa na vida. Voar ajudava-me. Tinha aprendido que estar na minha forma de dragão me ajudava a pensar e a ver a vida de outra forma.

Não ia ser a minha primeira perda. Eu acho que o Mason tinha sido o amor da minha vida. Mas se o perdi ia aprender com isso. Se doía? Mais do que qualquer coisa. Mas tinha sido ele a escolher esse caminho, não eu. Eu tinha preferido ficar com ele. Ele escolheu um mundo em que eu não me encaixava. Só esperava nunca mais ter de me cruzar com ele. Agora eu ia tentar erguer-me e não ia deixar que as memórias sobre ele me prendessem.

Tinha tomado uma decisão. Uma decisão que era difícil mas que era precisa. Eu tinha de fazer isto, com um ritual que me ia ajudar a perceber de vez que tinha de seguir em frente. Depois de fazer o meu voo nocturno e voltar para o meu quarto, sentei-me na minha cama com as centenas de cartas que lhe tinha escrito, todas inacabadas, todas sem muito sentido e com lágrimas. Usando os meus poderes fiz pequenas bolinhas de fogo e, uma a uma, fui queimando tudo o que tinha escrito.

- Não voltes.

Engraçado como aquilo que mais amamos é aquilo que mais nos destrói também. Não ia continuar a deixar-me ser seduzida por um mundo onde eu não queria estar. Um mundo só de memórias e vazio. Eu não merecia e era mais forte que isso. Não. Eu ia ficar bem. Sem ele, eu ia ficar bem. Eu era mais forte que isso. E não estava sozinha. Custava-me apagar esta parte da minha vida, esta pessoa da minha vida. Mas foi ela que pediu para ser apagada.

Devagar ia queimando todas as cartas que tinha escrito cheias de amor para ele. Demorei umas duas horas. Queimava uma a uma e enquanto as queimava pensava em algo que me mantesse a lembrança dele acesa. E tentava apaga-la. E estava a conseguir. Apenas o rosto lindo dele ficava na minha memória. E até isso eu queria apagar. Quando cheguei ao fim só sobrou a única fotografia que tinha dele. A sorrir. Tão lindo, tão inocente. Mas até isso eu queria apagar. Fui queimando muito lentamente a fotografia, primeiro em volta. Hesitei quando ela começou a ficar queimada no centro. Queria parar mas impedi-me de o fazer. Acabei por deixa-la queimar toda.

A última coisa que vi foi o rosto dele, o sorriso dele para mim, a desaparecer.
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Qui 15 Set 2016, 21:43

Quando voltei a acordar, a vontade que tinha era de não o teu feito. Pelo menos a dormir não me recordava daquilo tudo.

Acordei como se me tivesse faltado o ar, olhando logo para as minhas mãos que estavam limpas e normais.
Não quer dizer que eu não conseguisse ver o sangue ali. E que o olhar da mulher tivesse saido da minha cabeça. Tinha acordado à pouco tempo e mesmo assim estava com tanto panico como quando “adormeci”.

Eu era um monstro. Eu era um monstro.

Não parava de repetir isso para mim. Eu tinha morto alguém com as minhas proprias mãos. E devo ter magoado e ajudado a morrer muitas mais. COmo é que eu podia viver com aquilo? Não era capaz. Eu queria morrer.

Sentei-me na cama com as mãos na cara a chorar. Aquilo era demais.

Durante dias e dias eu era só aquilo. Ficava fechado naquela especie de tenda com aqueles pensamentos todos. Ninguém vinha ter comigo. Era de esperar. Quem é que haveria de querer estar ao pé de um monstro?
A verdade, é que alguém vinha. O rapaz que me tinha trazido para aqui. Justin. Ele era o único que aparecia. Trazia-me comida. Tentava que eu comesse. Trazia roupa limpa. E começava a falar comigo.

Mas eu estava num estado que tudo o que eu via era aquela mulher que eu tinha morto. Quem era ela? Será que a familia dela sabia?

- Sabes, eu já fui como tu. - disse um dia o Justin, sentando-se na minha cama. - Estive no lugar onde estiveste. Quer dizer, eu não estava exatamente sempre ao lado do Chase, mas sabia que ele era o alfa. E sentia o poder dele. É dificil resistir não é? É como se fosse uma droga, querer fazer-lhe todas as vontades.

Naquele dia eu ouvia o que ele dizia. E ele deve ter-se apercebido disso porque continuou a falar.
Se tinha sido dificl resistir? Sim. Eu tinha sido tão fraco que me tinha deixado ser subjugado por alguém. E isso levou a morte de alguém inocente.

- Sei o que estás a sentir. Eu também escapei no dia em que me obrigaram a matar alguém. - ele não olhava para mim então eu também desviei os meus olhos. Eramos os dois uns monstros então. - Só que eu fui o primeiro a consegui-lo fazer sem morrer. Se ainda me culpo? Sim. Se ainda tenho pesadelos com a cara daquela pessoa? Sim. Mas as coisas melhoram.

- Não vejo como podem melhorar… - a minha voz não passava de um sussuro. Já não a usava ha algum tempo.

O Justin olhou para mim e sorriu como se tivesse algum segredo. Como é que ele era capaz de sorrir?

- Primeiro tens que te perdoar a ti próprio… E tentar remediar as coisas. Eu acredito que se salvar a vida de muita gente, vai diminuir um pouco o peso que tenho. - A cara dele agora era mais séria enquanto olhava para mim. - Sabes como funciona o controlo dos alfas?

Eu não sabia de nada disso. Eu nem sabia como controlar a transformação. Nunca tinha sido preciso. O Chase dizia quando me transformar e quando voltar a humano. Ninguém me explicou nada.
Abanei a cabeça a olhar para ele.

- Os alfas normais já tem um grande controlo sobre todos os lobos do seu bando, mas o Chase? O Chase tem um controlo total. Ainda mais se os lobos forem transformados por ele. Ele mordeu-te?

Morder? Isso era a sério? Naquela noite antes de me transformar eu não fui mordido. Tinha sido só… Bem, nem eu sei. Mas não fui mordido...
Pensar em tudo só me fazia doer mais a cabeça. O que eu me lembrava eram flashes. E parecia tudo enevoado. Eu não era capaz de me lembrar de nada sólido. Só na altura em que acordei e depois de..de.. Dela morrer.

- Não… Mas eu tenho isto. - puxei a camisola e mostrei-lhe o meu ombro esquerdo. Mesmo no centro estava uma mancha enorme negra. Todas as veias a volta dessa mancha estavam também negras. Parecia tinta da china. - Acho que foi isto.

A reação que o Justin teve foi abrir os olhos o maior que devia de ser possivel para ele. Ele estava assutado? O que é que isso significava? Mas tem logica. Se eu não tinha sido mordido então como é que eu agora era lobisomem?

- Eu não fazia ideia que ele já tinha descoberto essa maldição…

- O que é que isso significa, Justin?! - Ele abanou a cabeça enquanto eu sentia o meu coração apertar-se ainda mais. Eu nem era um lobisomem normal?!

- Isso é como o primeiro lobisomem foi criado… Imagino que tenhas mais força que nós. Mas o controlo também é mais complicado. Serias um alfa poderoso. E para o Chase, se ele te conseguiu controlar totalmente, só mostra o quao poderoso ele é… - Eu não percebia nada do que ele estava a falar.

- Como assim controlava-me? Eu não fazia as coisas para o agradar? Não era só isso? - Perguntei logo sem saber o que pensar. Não sabia se devia de acreditar nele ou estar desconfiado. Mas também porque é que ele me haveria de mentir.

- Claro que não. Achas te capaz de matar inocentes? - ele suspirou e colocou a mão no meu ombro e eu quis afastar porque contato humano agora era dificil. - Eu não me engano com as pessoas. Se fosses mesmo um ser humano horrível, eu não te tinha trazido para aqui. Este sítio está cheio de pessoas inocentes que de uma maneira ou de outra o Chase arruinou a vida deles. Eu não iria trazer alguém como ele para aqui.

E com isso ele levantou-se e saiu da tenda.

Durante algum tempo eu fiquei sentado ali a pensar naquilo. No que ele me tinha dito sobre o que o Chase fazia. E sobre a cupa não ser minha. E eu queria acreditar que a culpa não tinha sido minha. Que apesar de tudo eu não era realmente um monstro assim tão grande e que se calhar era capaz de fazer algo para ajudar as outras pessoas.

O Justin continuava a aparecer para me contar coisas. E falar comigo. E a cada dia eu acreditava mais no que ele dizia. Sobre apesar de tudo o que eu e ele tenhamos feito, se queriamos ser perdoados teríamos que fazer por isso. E ele acreditava que ajudar outros era bom para isso. Mesmo que algo dentro de mim dissesse que salvar cem pessoas nunca vai apagar o fato de ter morto uma, eu queria pelo menos fazer algo. Nem que fosse para fingir a mim próprio que eu não era horrível.

E foi assim que comecei a ajudar. Cheguei a falar com a minha mãe a contar-lhe o que aconteceu. Ela apareceu cá minutos depois, a chorar. Eu tinha feito a minha mãe chorar e isso só me fez sentir pior. Contei-lhe de tudo. Não era capaz de mentir-lhe. Ela gritou comigo bastante por eu ter-lhe escondido aquilo tudo. E quis me levar de volta para Inglaterra pelo menos. Tive que lhe implorar para cá ficar para ajudar. Ela aceitou mas disse que ia aparecer todos os dias aqui para se assegurar que eu estava cá e não estava a arruinar a minha vida. Não que ela tenha dito essa ultima parte mas eu bem que sabia que era isso. E ela fe-lo. Todos os dias ao final da tarde aparecia. E ajudou com comida e roupa e dinheiro.

A primeira vez que sai da minha tenda eu estava cheio de medo. Tinha medo do que as pessoas iam dizer de mim. Mas no final ninguém disse nada. Muitos homens e mulheres olhavam para mim com pena até. Acabei por saber que esses tinham também estado neste lugar como eu. Aos poucos eu ia conhecendo pessoas e a falar com elas. E fui ficando melhor. Muito melhor mesmo. Já trabalhava na cozinha e conseguia falar com toda a gente sem me sentir culpado.

E quando dei por mim. Já tinha passado um ano desde que tinha saido de Portugal.

Nesse dia fiquei quase todo o tempo sozinho. O meu coração doia. E não era capaz de deixar de pensar nela. Será que ela estava bem? Sim... De certeza. Nem devia de se lembrar de mim é claro. Eu não tinha sido nada de mais.
Apesar de tudo, já não sentia raiva ou algo assim. Sentia saudades dela e de casa. Mas sobertudo dela. As semanas a seguir eu não era capaz de tira-la da minha cabeça. E tinha a certeza que nunca devia de ter saido de Portugal e que devia de ter lutado por ela.

- Porque é que não voltas então?

Virei a cabeça para o Justin. Estavamos os dois na cozinha a comer quando eu lhe disse sobre ela. Durante este tempo ele tinha se tornado o melhor amigo que eu já tinha tido na minha vida.

- E fazer o que? Ela nem se deve lembrar de mim. Deve estar lá toda feliz com o meu primo. - disse um bocado seco mas era por estar de coração apertado com saudades.

- Nunca pensei que fosses desses de desistir. Se amas a miuda vai atrás dela. Não te faças de coninhas. - Ele revirou os olhos e acabou de comer. - Se não vou eu atrás dela.

Ele piscou-me o olho e saiu da cozinha e eu fiquei lá a pensar. E se eu voltasse? E se eu estava mesmo a ser coninhas? Era capaz de voltar e de fazer de tudo para ganhar o coração dela? Mesmo sabendo que ela merece muito melhor que eu?
Sinceramente, eu era egoísta o suficiente para isso. No dia seguinte já tinha falado com a minha mãe e prometido ao Justin que todos os fins de semana voltava para o ajudar.

E com isso, dei por mim de mala as costas e a aparatar nos terrenos da escola. Cheirei o ar e olhei para o castelo todo iluminado a minha frente e sorri com o coração aos saltos. Estava em casa. Finalmente, estava em casa.











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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Qui 29 Set 2016, 23:33

- Está quieto, Gonçalo, deixa de ser parvo!

O meu riso estúpido deve ter ecoado pelo corredor inteiro. O Gonçalo tinha entrado há pouco para a escola e estava a ser o alvo das atenções. Incluindo da minha. Seria Karma? Será que ele tinha aparecido para me ajudar a voltar a sentir que sou uma adolescente que precisa de viver?

- Porquê? Anda lá, é só um beijinho.

- Não te vou dar beijinho nenhum.

E não ia. Ele metia-se com todas, a sério! Era incrível. Mas tinha charme, tenho de admitir. Era infantil e chato, mas era giro e engraçado. Para ser sincera eu acho que só queria voltar a sentir o que é ter o coração a bater mais depressa por causa de algum rapaz.

O andré não achava muita piada. Apesar de tudo, continuávamos amigos e, embora eu já lhe tivesse garantido que não havia nada entre mim e o Gonçalo, ele insistia para ter cuidado. E eu tinha.

- Além disso tenho de ir estudar e tu és um chato.

- Não podes fugir para sempre Redbird. Ainda te vou roubar esse coração.

Engraçado, quando ele disse aquilo, fiquei a pensar no assunto. Eu achava que o... Aquele... Esse mesmo... Me tinha roubado o coração. Se calhar não tinha. Ou tinha, não sei. Sentia sempre um vazio enorme. Principalmente à noite, quando os pensamentos atacavam mais. Tinha começado a fumar por causa disso. Ajudava-me um bocado. Era melhor do que ir bêbeda para a cama para adormecer mais depressa, que era o que eu já tinha feito.

Pelo menos as coisas agora já estavam a correr melhor, passado um ano. Já sonhava com ele umas duas ou três vezes por semana. Mas eram coisas mais vagas, como se ele estivesse a desaparecer. Eu queria que ele desaparecesse de vez.

- Duvido muito.

Mas fiz-lhe um sorriso. Porque não? O ódio que sentia pelo Mason crescia todos os dias. Todo o santo dia eu arranjava sempre um novo motivo para o odiar. Sabia que isto era apenas uma defesa minha, um método para conseguir esquecê-lo mais depressa. Eu não queria ficar agarrada a uma pessoa que não ia ver nunca mais. Todos os dias tinha raiva por me ter deixado enganar tão bem por aquele anormal.

Nunca mais um sorriso bonito e um beijo me iam fazer a mesma coisa. Não queria. Doía demasiado e eu queria era ter o contrário. E queria divertir-me agora que podia. Agora que já não sentia necessidade de escrever mil cartas para saber como ele estava ou se ia voltar. Será que ele leu as que eu enviei ao início?

Enquanto me afastava do Gonçalo pensava no quanto tinha conseguido evoluir. A professora Joana estava satisfeita, as minhas notas voltaram a subir e eu já não me fechava no quarto. Todos os dias agradecia aos bons amigos que tinha por me terem ajudado neste período negro na minha vida. Principalmente o André. Eu ficava feliz de o ver interessado noutra rapariga, dava-me certeza de que estávamos bem.

Olhei para o telemóvel ao receber uma mensagem e revirei os olhos a sorrir, quando a selfie provocadora do Gonçalo apareceu no ecrã. Nem lhe respondi.

Onde é que ele está? O que é que ele está a fazer neste momento? Estará a caminhar por um corredor como eu? A pensar em mim? Duvido... E isso continua a doer. É tão injusto eu sentir-me em pedaços, sem vida e como se mil facas se espetassem no meu coração, enquanto ele andava no Brasil a divertir-se.

- Sim, vou já.

Respondi ao telemóvel com a minha amiga, para irmos estudar. Desci as escadas, passando pela escadas da entrada. Este castelo era magnífico. Ajeitei o uniforme e o cabelo e aproximei-me da fonte de água no meio, a olhar para a estátuda enorme. Tirei uma moeda da carteira e pedi um desejo. Todos sabíamos que não funcionava. Mas não perdia nada e além disso as moedas iam para as crianças do orfanato para ajudar.

Fechei os olhos prestes a pedir o simples desejo de nunca deixar de ter os amigos ao meu lado. Mas em vez disso a minha mente voou directamente para um rosto com umas covinhas amorosas, um sorriso doce e um olhar meigo. Engoli em seco e lancei a moeda lá para dentro.

Queria deixar de pensar nele, mas sabia que só com o tempo. Precisava de mais tempo. Guardei a carteira e suspirei, pondo a mão na água, mas tirei-a logo e sequei-a na saia do uniforme. Sorri triste para a estátua e virei costas à entrada, em direcção à minha sala comum.
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 20:57

Não demorou muito para o sorriso se apagar e o panico começar a entrar em mim. Eu estava mesmo preparado? E se ela me odiasse? Ela devia de me odiar. Claro. Afinal de contas eu desapareci. Além disso agora era meio monstro. E se ela ainda estivesse com o André e eu tentasse meter-me isso só a ia fazer me odiar mais.

Não. Eu não podia pensar assim.

Respirei fundo e passei a mão pela cara. Eu era capaz de fazer isto. Com calma. Devagar. Ser inteligente. Voltei a pegar na minha mala e caminhei pelos campos. Parecia tudo igual. Era já hora de jantar então não estava ninguém na rua. O que era bom para mim, não tinha a certeza se estava já pronto para responder a perguntas. Só queria ir deixar a minha mala no meu quarto e dar um beijo à minha mãe para depois me deitar.
Sim, eu sabia que não podia atrasar mais as coisas mas eu ia literalmente voltar do nada.

Conseguia ouvir a voz do meu irmão Tiago na cabeça a dizer que ja que ia voltar, mais valia voltar em grande.
Fiz um meio sorriso com o pensamento. Em grande com serpentinas e fogos de artificio nem parecia assim tão mal. Toda a gente ia saber de vez que o Mason Malfoy estava de volta. E para ficar. Como sempre devia ter sido.

Pensar naquilo tinha me deixado um bocado mais calmo. Pelos vistos, ser palhaço fazia-me acalmar. Palhaço não, comportar-me como um verdadeiro Malfoy.
Continuei a caminhar mas a pensar naquelas coisas para que não pensasse em coisas que me deixavam com vontade de vomitar aquele kebab que comi antes de sair do brasil.
Entrei no corredor do castelo e peguei no meu telemovel para dizer ao Justin que tinha chegado bem. O Justin era o mais parecido a um melhor amigo que eu tive durante a minha vida. Devia-lhe muito. E eu ia continuar a ajudar lá nos fins de semana. Ainda tinha muito por pagar.

Eu não estava a olhar para onde caminhava. E esta coisa de estar mais alto ainda era algo que eu não estava bem habituado? Então não era de esperar que tombasse contra alguém.
Mas de tudo o que eu tinha pensado, de todas as formas que eu tinha imaginado e sonhado. Eu nunca pensei que a primeira vez que fosse ver a Sofia Redbird fosse quando eu não olhava para o caminho e a empurrasse sem querer para dentro da fonte dos desejos.

E invés de eu me mexer e a ajudar a levantar-se, ou fugir a sete pés porque era o amor da minha vida que provavelmente odia-me e que eu tinha acabado de empurrar para dentro de uma fonte.
Ela continuava a parecer um anjo. E acho que naquele momento acabei de me apaixonar mais um bocado. Ela estava mesmo ali.

Não fui capaz de dizer nada. A minha mochila estava no chão. Tinha acabado por encharcar-me também quando ela caiu. O meu coração queria sair-me pela garganta. E eu não era capaz de dizer nada!

Só conseguia olhar para ela e pensar no quão linda ela estava e pensar ue ela estava mesmo ali e que eu não estava a sonhar.
Eu não estava a sonhar certo?

- Oh oh... - Belisquei o meu próprio braço. E senti uma dorzinha.

Isso quer dizer...

- Oh merda...

Eu estava fodido.





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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Dom 02 Out 2016, 21:13

Eu sabia que aquela fonte dos desejos não resultava, mas mesmo asssim deixei lá o dinheiro. Era menos um cigarro que fumava, para ser sincera. Queria parar, sabia que fazia mal, mas acalmava-me. E depois o meu telemóvel apitou outra vez. Outra selfie do Gonçalo. QUASE NU! Rapaz idiota!

Abanei a cabeça a dar meia volta para ir embora. Andar e mexer no telemóvel ao mesmo tempo claro que só podia resultar em merda. E foi o que aconteceu. De repente senti algo ou alguém vir contra mim!

- AH!

Só tive um segundo para gritar porque no segundo a seguir eu estava dentro de água. Na. Porra. Da. Fonte! Tinham-me atirado para dentro de água! Estava gelada ainda por cima! Ainda bem que o meu telemóvel tinha caído no chão. O que eu não sabia é que a selfie do Gonçalo estava ainda aberta. Lindo.

- Mas que porra!

Disse a tossir e a tentar levantar-me, mas quanto mais tentava mais caía. Ergui os olhos para mandar a pessoa dar uma curva quando o vi. Não, não podia ser.

A minha boca só se abria e fechava, eu parecia uma atrasada mental, a sério! Ele estava mesmo ali? Olhei para a estátua completamente atordoada. Mas esta porra funcionava mesmo? Da próxima vez ia despejar a carteira inteira.

Depois voltei a olhar para ele ainda dentro de água. O meu corpo tinha congelado. Ainda por cima não podia ir jantar assim toda molhada.

Mas o que é que eu estou para aqui a pensar? Ele aparece-me assim à frente e eu penso que não posso ir jantar? Para ser sincera não sabia o que fazer o que dizer ou o que pensar.

Eu pensei que nunca mais o ia ver na vida, e ali estava ele. Lindo. Ainda mais lindo do que dantes. Meu... Deus...

Engoli em seco. De todas as pessoas neste castelo... De todas as almas perdidas neste corredor. Tinha de ser eu neste momento na fonte.
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 21:30

Eu não fazia ideia do que podia dizer ou fazer. Só continuava a olhar para ela de olhos muito abertos.

Ela também não tinha tido reação nenhuma. Continuava a olhar para mim como se tivesse visto um espírito. Se calhar era isso. Eu não era mais que uma sombra do passado para ela. Uma pessoa pode mudar muito num ano não?

Os meus olhos passaram por ela novamente e ficaram um bocado presos na região do peito dela. Bem... Uma pessoa podia mesmo mudar de um ano para o outro. E pensar que eu já dormi de cara enfiada ali. E o sutiã dela parecia bonito. Cor de rosa com rendinhas.

Eu se calhar devia de estar a pensar em como falar com ela. Ou explicar lhe onde tinha andado. Mas não. Aqui estava eu a ter a certeza que não estava a sonhar e a olhar diretamente para o peito dela.

Não me estranhava nada que ela me batesse.

- ahm.. Eu.. Ahm.. - nao fazia ideia do que lhe dizer. Mas ela também não me dizia nada!

O que é que era suposto eu dizer?! "Querida Voltei?", "Belo sutiã Redbird?", "eu estive no Brasil onde só fiz merdas e acabei por ser transformado em lobisomem e a meter me com a mafia para mais tarde ser resgatado por um gajo que tinha um campo de refugiados e agora estava de volta para resgatar o teu coração?"

Não. Eu não fazia ideia do que dizer.

- Merda. - murmurei baixo.





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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Dom 02 Out 2016, 21:36

Eu continuava a abrir e a fechar a boca feita retardada e sem tirar os olhos dele. O que é que eu devia fazer ou dizer? E depois os olhos dele descaíram um bocado. À descarada.

Eu sabia bem que um ano me tinha mudado um bocado. Não que tivesse mamas enormes agora, mas pelo menos tinham crescido um bocadinho. E... Surprise! A água deixou-me a camisa transparente. Podia melhorar? Claro que sim. O meu telemóvel continuava no chão e eu estava a rezar para que ele não olhasse para lá!

- Tu... Tu...

Era a única coisa que conseguia dizer. Saía-me meio estupidamente mas pronto. Além disso, corada como estava devia estar a fazer uma figura linda.

Como é que ele estava aqui? O que é que o destino queria de mim afinal? Brincar?
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 21:43

Eu desviei os meus olhos do peito dela porque apesar de tudo ainda gostava de pensar que tinha um traço de cavalheiro em mim.

Além disso sentia as minhas bochechas a escaldarem e não queria que ela pensasse que eu era agora um pervertido qualquer. Mesmo que no pensamento isso fosse totalmente verdade.

- Ahm.. Oi?

LA consegui dizer. E sim. Foi isso. Só isso. A única coisa que me saiu da boca sem ser barulhos desconexos foi fizer oi. Nem pedir desculpa por a ter empurrado. Nem implorar para ela não me espancar.
Foi simplesmente, oi.

Eu era mesmo idiota.

Mas lá me lembrei e estiquei a mão para ela, para a ajudar a sair da água. Não podia voltar e ser logo idiota! Como é que eu ia fazer assim que ela se apaixonar-se por mim?! Eu não estava preparado para isto. Eu pensei que ia ter a noite para me preparar. Mas não! O destino gostava de me lixar e aqui estava ela!





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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Dom 02 Out 2016, 21:48

- Oi?

Era tudo o que ele tinha para me dizer? Depois de um ano. Depois de um ano inteiro, aquilo que ele tinha para me dizer era "oi"? Passei de perplexa e confusa a furiosa num instante!

- Oi? Oi?!

Olhei para a mão que ele me tinha estendido e semicerrei os olhos.

- Eu dou-te o oi!

Já era uma frase grande e conexa. Agarrei na mão dele e puxei-o para dentro da fonte com força. Idiota! Levantei-me a custo e saí da fonte toda encharcada e a tossir. Era só o que me faltava! Não aparece durante um ano e quando aparece faz-me ficar constipada?

Tenho de admitir que me soube bem empurra-lo com força para a água. E teve ele muita sorte, porque a minha vontade era de espanca-lo!

Ignorei completamente o choque na minha mão e o formigueiro no resto do corpo quando lhe toquei na mão, claro.
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 21:55

E naquele momento em que estiquei a mão. Eu sabia que estava fodido.
VI os olhos dela deixarem de estar numa confusão autêntica para queimarem com uma fúria que me fez querer sair dali a correr.

Mas não tive reação nenhuma. E numa questão de segundas ela agarrou me pela mão e puxou me para a água.
Agora se ano fosse ela e eu não estivesse completamente estúpido, ninguém tinha sido capaz de me arrastar.

Mas eu não tinha tido qualquer reação! Vai simplesmente de rabo na água e fiquei a olhar para ela perplexo.
Mas ela saiu da água a tossir e a olhar para mim irritada.

Eu tinha arranjado a bonita. Ela estava furiosa comigo. Agora se era por causa da água ou por ter ido embora? Isso ainda tínhamos que falar.

- Isso foi desnecessário. - resmungei sem controlar a minha língua.

A minha mão que ela tinha pegado estava a arder. Todo o meu corpo estava a arder. Isso não quer dizer que eu fosse menos burro e idiota do que já era.

- quer dizer ahm... Desculpa?

Ela ia me afogar. Eu tinha certeza disso.





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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Dom 02 Out 2016, 21:59

Eu não sabia se havia de espanca-lo ou beija-lo. Parte de mim queria simplesmente abraça-lo. Mas a outra parte gritava que ele era um cabrão egoísta.

- Desculpa. Desculpa.

Repeti furiosa enquanto escorria o cabelo. O uniforme estava-me todo colado ao corpo e apesar de saber que ele ia olhar eu ia ficar gelada e ainda ficava doente. Se isso acontecesse ia obriga-lo a dar-me comida à boca! Não, espera...

- Tu...

Dado que ainda estava a tossir nem conseguia formar frases. Queria usar os meus poderes para me secar mas estava demasiado encharcada e sabia que ia deixa-lo em cinzas se os usasse agora.
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 22:05

Ela estava mesmo furiosa comigo e eu não sabia o que fazer! Ou dizer! Eu não estava preparado para falar com ela!
Acabei por sair da água a tremer um bocado de frio. Tinha vindo de calções e t-shirt e agora estava tudo colado ao meu corpo. Bem pelo menos ela via os abdominais. E eu era capaz de ver as curvas todas dela. Deus o que eu não fazia para só me poder esticar e beija la ate ela se esquecer do proprio nome.

Não não. Eu não podia fazer isso! Tinha de ir com calma!
Então abri a mochila e tirei de lá um casaco meu e meti nas costas dela. Sim isso já era bom! E não devia de fazer com que ela me quisesse bater mais ainda!

- Eu não vi por onde ia. Não era minha intenção mandar te para a fonte.

Queria abraça la. Queria tanto mas tanto senti lá. As saudades vieram como uma onda. E engoli em seco olhando para baixo. Estava com vergonha por ter fugido.





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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Dom 02 Out 2016, 22:10

Quando ele me esticou o casaco dele parte da fúria que eu sentia desapareceu. Pelo menos continuava querido. Quer dizer... Merda.

- Obrigada.

Respondi meio ríspida, enquanto metia o casaco aos ombros. Cheirava a ele e eu fiquei com vontade de chorar. Meu Deus... Tinha tantas saudades deste cheiro.

- É eu... Estava distraída, não vi por onde ia também.

Era demasiado estranho pensar que tinha sido destino encontra-lo assim. Tentei enxugar um pouco o cabelo mas não dava. Não conseguia olhar directamente para ele, começou a doer-me o peito e eu sabia porquê.

Ia dar-lhe o casaco e ia embora. Sim, eu ia fazer isso. Agarrar nas minhas coisas, sair dali e meter na cabeça que nada mudou! Sim, era isso que ia fazer!
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 22:16

Eu queria dizer tantas coisas. Queria dizer que a amava. Queria pedir desculpa e ter ido embora. Queria saber se é a teve saudades minhas como eu tive dela. Queria dizer lhe que ela continuava tão linda como um anjo. Queria a abraçar e nunca mais a largar. Prometer que nunca mais saia de ao pé dela.

Mas eu não era capaz de dizer nada. O coração doía me tanto quanto como fui embora. Mas eu desta vez não ia escapar.

- Eu... Ahm... Voltei para estudar... - eu não sabia o que lhe dizer. Os meus olhos estavam molhados e eu não era capaz de a encarar. - Se calhar não gostas dessa notícia mas... É bom estar em casa. Tinha saudades.

Dela. Tinha tantas saudades dela. Queria saber como tinha sido o ano dela. Como é que ela estava. Queria a ouvir falar e falar porque estive um ano sem a ouvir.





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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Dom 02 Out 2016, 22:21

Quando ele disse que tinha voltado para estudar e que teve saudades abri a boca para dizer qualquer coisa. Queria manda-lo à merda e perguntar-lhe se ele sabia o que me tinha doído.
- Poequê? Não estavas bem onde estavas?
Perguntei, irónica. Tinha noção que o meu tom de voz deixava transparecer completamente a raiva que eu tinha. E estava no meu direito não estava?
- Obrigada pelo casaco.
Estiquei o casaco para ele, engolindo em seco. Não conseguia pensar, parecia que estava bloqueada E estar ali ao pé dele não ajudava. Queria dizer-lhe muitas coisas e ao mesmo tempo não queria mais falar com ele.
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 22:34

Quando ela falou sentir-se tinha levado um murro no estômago. Ela estava com raiva de mim. Por eu ter ido embora...
Doía bastante saber isso. Eu sei que tinha sido egoísta. Mas na altura pensei que também fosse o melhor... Sei que estava enganado mas ouvi la falar assim, doía mesmo.

- Estou bem aqui. Que é onde a minha família e os meus amigos estão.

So fui capaz de dizer isso. Eu era capaz de aguentar a raiva dela... Espero eu.

- Podes ficar com ele. Não quero que fiques doente por minha culpa.

Murmurei e olhei para ela nos olhos. E pensar que há um ano atrás eu podia chegar perto dela e só a beijar. Podia arranjar problemas mas nada como agora. Agora só a ia magoar ainda mais. Não a queria magoar... Nunca quis... Mas eu era um idiota.

VI o telemóvel dela no chão e peguei nele já pronto para pedir desculpa outra vez pelo incidente da água mas sem querer olhei para ele. Estava aberta uma foto de num rapaz quase nu.

Se a forma como ela me falou foi como um murro. Isto tinha sido uma autêntica bala.

- Bem se calhar o casaco não é boa ideia. - eu estava a tentar não soar triste. - Não quero arranjar te problemas.

E devolvi lhe o telemóvel. Tive que me relembrar que não tinha qualquer direito a ter raiva dela. Nos nunca namoramos. Ela bem que podia ter algum rapaz. Nós não tivemos nada. Ela não era minha.
Eu tinha que meter isso na cabeça.






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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Dom 02 Out 2016, 22:40

Fiquei a olhar para ele uns segundos.


- E lembraste-te disso agora? Passado um ano? Ena... Grande amigo.


Também me doía, mas as palavras simplesmente saíram. E depois abri muito os olhos quando ele viu o telemóvel. Merda. A fotografia do Gonçalo. Vi logo o que ele pensou e apressei-me a desculpar-me.


- Não, ele... Não é... Bem... É só... Um rapaz idiota novo na escola. Ele manda isto para todas.


Mas porque é que eu me estava a desculpar? Ele não tinha nada a ver com a minha vida. Devolvi-lhe o casaco e peguei no telemóvel completamente corada. Mesmo que não lhe fosse nada sentia-me envergonhada. O Gonçalo é um idiota.


- Não arranjas.


Disse sem olha-lo, mas encolhi os ombros. Porque me ia arranjar problemas? Eu achava que estava numa fase calma da minha vida. Esperava eu.
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 22:48

Fiquei a olhar para ela durante um tempo com o coração apertado.

- Não precisas de me relembrar disso, obrigado.

Eu não estava a ser seco nem nada. Eu sabia bem o que tinha feito. Sei que tinha ido e isso tinha magoado muita gente.

Ela ficou corada e toda coisa quando viu que eu vi a foto. E isso deixou me ainda pior. Será que ela gosta dele?
Merda. Eu estava a espera de só ter de levar com o André. Agora com este tipo também?

- nao te precisas de explicar. Tudo bem, não tenho nada a ver com isso. - tentei sorrir educado. Não sei se resultou.

Ela devolveu me o casaco e eu voltei a vesti lo. Não sentia frio porque era lobo mas também não queria abusar da sorte. E também não queria ter de contar a ninguém que era um lobisomem.

Será que quando ela souber ela vai ter medo de mim?

Não devia de pensar nisso agora. Tinha problemas maiores. Tipo o possível marmanjo que anda atrás dela.

- Tenho aqui um camisola então se quiseres. Não vale a pena te constipares. - encolhe os ombros mas já não olhava para ela.

Isto era tão estranho. E o meu coração doía tanto.
Mas voltei a olhar para ela. Ela parecia tão coisa como eu. E eu não resisti e aproximei me dela Abraçando a.

Eu sou o maior egoísta à face da terra.






Does he sing to all your music... While you dance to Purple Rain? Does he do all these things...Like I used to?




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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Dom 02 Out 2016, 22:58

Tive de morder o lábio quando ele me respondeu aquilo. Ele merecia ouvi-las todas! Tudo o que eu tinha para lhe dizer. Mas a reacção dele com a foto do Gonçalo deixou-me confusa e também triste. Aquilo significava que eu já não era nada para ele. Certo?

- Pois não. Não tens.

Foi a única coisa que lhe respndi, porque senti os olhos ficarem húmidos e só queria ir embora. Estava farta de estar ali ao frio e com os sentimentos à flor da pele.

- Não, obrigada.

Recusei a camisola dele. Não ia vesti-la de forma nenhuma. Para quê? Para ficar com o cheiro dele? Para me recordar do quanto gostava dele?

Mas nem tive tempo de acrescentar nada porque ele me abraçou logo. Abraçou-me mesmo. E eu senti-me quase desmaiar. Deixei-me cair nos braços dele e suspirei baixo. Não queria nem devia estar nos braços dele" Porque é que ele me estava a fazer isto?!
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 23:04

Eu sabia que se calhar não devia de a ter abraçado. Eu sentia a tensa logo quando a agarrei. Mas depois sentia relaxar e suspirar.
Eu estava a sentir me bem. Sentia o calor do corpo dela. Ela tinha sido sempre quentinha. E cheirava a chocolate. E ela cabia perfeitamente nos meus braços, como se tivesse sido feita para mim. Eu não a queria largar mais.
Mas sabia que devia. Ela devia estar magoada comigo. Eu tinha que voltar a fazê lá gostar de mim e confiar em mim. Ou ela ainda se apaixonada por aquele gajo.
Apertei a uma última vez e depois larguei a sorrindo lhe envergonhado.

- Desculpa... É que é bom ver te....

Mas estava a espera de gritos. Ou De um estalo. Porque eu tinha a magoado.





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Re: Covil

Mensagem por Sofia Redbird Malfoy em Dom 02 Out 2016, 23:09

Largou-me tão depressa como me agarrou. Olhei-o nos olhos a tentar perceber alguma coisa. A tentar entender o que se passava. A minha vontade era levantar o braço e dar-lhe um estalo. Engoli em seco., em vez disso.

- Não voltes a fazer isso.

A minha voz estava baixa mas firme. Queria que ele percebesse o recado.

- Tu deixaste-me! Deixaste-me para...

E depois calei-me porque ele não sabia que eu o tinha visto lá. E lembrar-me disso deixou-me com mais raiva ainda.

- O que é que queres de mim? Matar-me mais ainda por dentro? PArabéns, conseguiste da primeira vez!

E depois respirei fundo.

- Desculpa. Desculpa, não devia ter dito isto assim...

Respirei fundo novamente e olhei-o.

- Quero que percebas que tu não me és nada agora. Espero que te dês bem aqui agora mas não te quero na minha vida outra vez.

O meu coração traá-me tanto neste momento. Estava a gritar para o abraçar e beija-lo e dizer-lhe que o amava mais que tudo. Mas eu era mais forte que ele.
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Re: Covil

Mensagem por Mason A. Potter Malfoy em Dom 02 Out 2016, 23:20

Tudo o que ela me disse era como se espetassem facas no meu coração.

Ela não queria que eu estivesse perto dela. Ela odiava me... Eu tinha conseguido fazer com que ela me odiasse. Ela falou com tanta raiva. Eu conseguia ouvir o meu coração a partir se.
E apesar de eu ter sentido dor quando estava no Brasil, nada me tinha preparado para isto. Os meus olhos ardiam da vontade que tinha de chorar. E a minha garganta estava apertada. Eu queria fugir. A minha reação era fugir.
Mas eu não podia fugir.

- Podes dizê-lo... - a minha voz não era mais que um murmuro. E eu não olhava para ela. - eu mereço isso e muito mais acredita.

Ela voltou a falar. Disse que eu não lhe era nada. Nada.
Tive vontade de vomitar com a dor que sentia no coração. Mas mantive me quieto a olhar para o chão. Eu não ia a lado nenhum.

- Entendi... Eu não te quero magoar juro... Nunca quis. - Acho que o que estava a dizer não ia ajudar em nada mas não conseguia parar. - Mas eu não me vou afastar. Voltei com ideias fixas.

Arrisquei me a olhar para ela. Ela provavelmente estava ainda com mais raiva de mim agora. Mas era verdade. Eu ia lhe mostrar que ela podia confiar em mim e amar me. Que eu não ia a lado nenhum. Eu ia ser um homenzinho.





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